24 de maio de 2016

Tiê

Palavras não bastam, não dá pra entender, e esse medo que cresce e não para. É uma história que se complicou e eu sei bem o porquê. Qual é o peso da culpa que eu carrego nos braços, me entorta as costas e dá um cansaço. A maldade do tempo fez eu me afastar de você. E quando chega a noite e eu não consigo dormir. Meu coração acelera e eu sozinha aqui. Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão. Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão. Pro tanto que eu te queria, o perto nunca bastava e essa proximidade não dava. Me perdi no que era real e no que eu inventei. Reescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer, e te dedico uma linda estória confessa. Nem a maldade do tempo consegue me afastar de você. Te contei tantos segredos que já não eram só meus. Rimas de um velho diário que nunca me pertenceu. Entre palavras não ditas, tantas palavras de amor, essa paixão é antiga e o tempo nunca passou. E quando chega a noite, e eu não consigo dormir. Meu coração acelera e eu sozinha aqui. Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão. Olhos nos olhos no espelho e o telefone na mão.
— Tiê.

Carlos Antônio

Quero cuidar de cada parte do seu sorriso só pra mim, desculpa o egoismo, mas eu sou assim. Penso a cada dia uma forma de te mostrar o quanto você é importante para mim, para o nosso amor sem fim. Quero ser o motivos de suas maiores risadas, de todas as suas borboletas no estomago, ser a primeira pessoa do dia a te ver sorrir. Quero ser para você tudo o que você mais precisa, do abraço no começo da manhã até o beijo no final do dia, e eu vou agradecer bem baixinho a Deus todo dia, de ter você aqui só para mim.
— Carlos Antônio. 

23 de maio de 2016

Martha Medeiros

Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam, de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e, sim, para disfarçá-la, sufocá-la. Ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
— Martha Medeiros 

Chico Buarque

Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo… Isto é carência! Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar… Isto é saudade! Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos… Isto é equilíbrio! Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida… Isto é um princípio da natureza! Solidão não é um vazio de gente ao nosso lado… Isto é circunstância! Solidão é muito mais do que isto! Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma!
— Chico Buarque.   

Machado de Assis

O que eles disseram um ao outro, com os simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido. Confissão misteriosa e secreta, feita de um a outro coração, que só ao céu cabia ouvir, porque não eram vozes da terra, nem para a terra as diziam eles. As mãos, de impulso próprio, uniram-se como os olhares; nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única.
— Machado de Assis.  

Vinicius de Moraes

Quem pagará o enterro e as flores se eu me morrer de amores? 
Quem, dentre amigos, tão amigo para estar no caixão comigo? 
Quem, em meio ao funeral dirá de mim: “Nunca fez mal…” Quem bêbedo, chorará em voz alta de não me ter trazido nada? 
Quem virá despetalar pétalas no meu túmulo de poeta? 
Quem jogará timidamente na terra um grão de semente? 
Quem elevará o olhar covarde até a estrela da tarde? 
Quem me dirá palavras mágicas capazes de empalidecer o mármore? 
Quem, oculta em véus escuros se crucificará nos muros? 
Quem, macerada de desgosto Sorrirá: – Rei morto, rei posto… Quantas, debruçadas sobre o báratro sentirão as dores do parto? 
Qual a que, branca de receio tocará o botão do seio? 
Quem, louca, se jogará de bruços a soluçar tantos soluços que há de despertar receios? Quantos, os maxilares contraídos o sangue a pulsar nas cicatrizes dirão: “Foi um doido amigo…” Quem, criança olhando a terra ao ver movimentar-se um verme observará um ar de critério? 
Quem, em circunstância oficial há de propor meu pedestal?
 Quais os que, vindos da montanha terão circunspecção tamanha que eu hei de rir branco de cal? 
Qual a que, o rosto sulcado de vento lançará um punhado de sal na minha cova de cimento? 
Quem cantará canções de amigo no dia do meu funeral?
 Qual a que não estará presente por motivo circunstancial? 
Quem cravará no seio duro uma lâmina enferrujada? 
Quem, em seu verbo inconsútil há de orar: “Deus o tenha em sua guarda.” Qual o amigo que a sós consigo pensará: “Não há de ser nada…” Quem será a estranha figura a um tronco de árvore encostada com um olhar frio e um ar de dúvida? 
Quem se abraçará comigo que terá de ser arrancada? 
Quem vai pagar o enterro e as flores se eu me morrer de amores?
— Vinicius de Moraes.

One Tree Hill

Nesse momento há 6 bilhões, 470 milhões, 818 mil, 671 pessoas no mundo. Algumas estão fugindo assustadas. Algumas estão voltando pra casa. Algumas dizem mentiras para suportar o dia. Outras estão somente agora enfrentando a verdade. Alguns são maus indo contra o bem e alguns são bons lutando contra o mal. Seis bilhões de pessoas no mundo, seis bilhões de almas… E, às vezes, tudo que nós precisamos é de apenas uma!
— One Tree Hill.  

Paulo Coelho

Algum dia tudo fará sentido. Enquanto isso, ria da confusão, chore um pouco… E entenda que tudo acontece por alguma razão.
— Paulo Coelho.

Veronica Heiss

Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva sem se preocupar com o celular no bolso, os cartões do banco, a chapinha, o sapato que não pode molhar? As pessoas têm que se permitir. Aprender o atraso, o olhar em volta. Mudar o caminho de todos os dias e se perder no seu próprio bairro. É o que tenho feito, me perdido. E devo dizer que estou muito feliz por não encontrar o caminho de volta.
— Verônica Heiss. 

Manias

Tenho guardado suas manias, a cor dos seus olhos e a constelação que fazem suas sardas no seu rostinho de bebê, mesmo que elas sempre mudem, ora tão fortes que parece que procriaram, ora tão leves que parece que se esconderam. Guardei seu sorriso, o som da sua gargalhada e aquela coisa gostosa que sinto quando escuto sua risada. Guardei o aroma do seu perfume na lembrança, e é tão chato sentir seu perfume em outras pessoas. Mas então eu lembro do seu cheiro, ah, como eu amo isso. Guardei seu toque, me arrepio só de lembrar. Mas eu não quero ter que guardar nada disso, fica, fica comigo, pra sempre, fica aqui, só fica, cansei de guardar, quero ter a toda hora.”
Bianca Autran.  

Clarice Falcão